Playing at my house


“Reapplying for the job of the best band in the world”
21 21UTC Janeiro 21UTC 2009, 2:22 am
Arquivado em: CD REVIEWS, Musica

Os U2 são aquele tipo de banda capaz de conceber os mais antitéticos sentimentos. Há quem os idolatre, sendo esses, geralmente, aqueles capazes de dar fortunas por um raro bilhete para um concerto, que sabem todas as músicas e todos os movimentos que Bono opera em palco, nos dvds ao vivo, de cor. Há, do mesmo modo quem os odeie, porque ou são do contra ou contra aquilo a que se vulgarmente designa por Mainstream. Eu digo que o que transforma uma música ou um género em mainstream é a força do hábito. Era bastante novinho quando o meu pai me falou pela primeira vez numa banda porreira que, disse-me tinha acabado de ganhar um qualquer prémio de revelação de música alternativa com o seu debut álbum, Parachutes. 8 Anos mais tarde, são a banda pop mais conhecida do mundo, mais comummente conhecida como Colplay.

Do mesmo problema sofrem os U2. As pessoas habituaram-se tão em demasia à voz de Bono que, erradamente, dizem que soam sempre à mesma coisa. Absurdo. Esta é uma banda com mais de 30 anos de carreira, com 12 cds lançados e com temas diversos que vão desde Sunday Bloody Sunday a In a Little While, de Elevation a One ou de With or Without you a Walk On. Acho mesmo que o mais céptico dos críticos de U2, ainda que dizendo isto e aquilo a seu respeito não consegue não cantarolar o refrão de um dos seus sucessos.

Tudo isto para dizer que eles aí estão outra vez com um novo álbum, No line on the horizon, que sai dia 2 de Março na Europa, 4 anos e meios depois do último, How to dismantle na atomic bomb. Aqui fica a tracklist e o primeiro single.

1. No Line On The Horizon
2.
Magnificent
3. Moment of Surrender
4. Unknown Caller
5. I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight
6. Get On Your Boots
7. Stand Up Comedy
8. Fez – Being Born
9. White As Snow
10. Breathe
11.
Cedars Of Lebanon

U2 – Get On Your Boots

David Paula


9 Comentários até agora
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Na minha modesta opinião – sendo daqueles que, não os odiando, não dou muito por eles – acho que têm um album realmente bom. Chama-se The Joshua Tree. Antes disso posso dar de barato um War…Mas o resto, muito dentro dos moldes, sempre dentro da onda do que é feito, sem grande inovações.

Tinham uma coisa boa, que era o cénico. Mas até isso hoje já está mais para baixo do que para cima. Zoo TV Live foi um marco, verdade seja feita.

Aquilo que fazem hoje, tal como os Coldplay é música mainstream pura e dura. E sempre vi uma dificuldade muito grande dos media em distinguir as coisas, como faz melhor no Cinema e na Literatura. Exemplos: no Cinema, os realizadores e actores fazem as duas coisas, coisas sérias, com conteúdo, aquilo a que se pode chamar de Arte; mas também fazem filmes para vender e passar na TV no domingo à tarde. Robert Rodriguez faz o Spy Kids, mas depois tem o Sin City e o Planeta Terror.
Ou então, como na música, dedicam-se só ao tais filmes que são coisas sérias, com conteúdo, aquilo a que se pode chamar de Arte. David Lynch só faz filmes de autor e a actriz que trabalha regularmente com ele, Laura Dern, praticamente só faz isso mesmo, colaborar com ele (e pronto vá, o Parque Jurássico…).

Continuando com o raciocinio, ninguém diz que o Dan Brown é o “melhor escritor do mundo” como dizem de bandas como os Coldplay. Porque se distingue bem livros para vender – ainda antes de estarem à venda já são best-sellers – de livros que de facto marcam uma época ou ficam na história da literatura.

Aceito que nem toda a gente tenha a capacidade para ouvir um grande album, ou ler um grande livro, ou ver um grande filme. Mas a medida não pode ser por baixo. Tem que se educar para a cultura.

E alonguei-me de novo de uma maneira bárbara, e ainda por cima desviei-me do tema central. Mas era para explicar o raciocinio que fiz durante esta coisa.

Abraço

Comentário por António Pita

penso que a musica é diferente em certas medida do cinema e da literatura pela facilidade que esta arte tem em difundir-se. Quando uma banda é transverssal como os U2 são, temos que obviamente lhe reconhecer muita qualidade. Pois não só conseguem agradar a gregos (as massas) como conseguem agradar a alguns troianos (pessoas com o gosto mais apurado). Sem me considerar um especialista em musica, porque nao o sou, creio que consigo ter um gosto mais ou menos afinado. Se os u2 tem musicas que nao valem um chavo, que servem só para encher as rádios e os estadios de futebol, é obvio que teem. Mas ao mesmo tempo que tem o folclore todo da “world biggest band” ao mesmo tempo têm no seu repertório musical verdadeiros hinos universais.

Comentário por joaofranciscoacunha

Tem piada falares na questão da educação para a cultura porque ainda no outro dia estava a discutir isso com o Cunha no carro. Apesar de nos termos cingido ao universo específico da “noite” acho que se pode generalizar a questão e dizer que Cultura Musical em Portugal vai sendo cada vez mais raro.
Herdei a sensibilidade musical do meu pai, que até tocou numa banda, e cresci a ouvir Pink Floyd, Queen, Leonard Cohen e Dire Straits daí que, modéstia à parte, jogue bem em vários campeonatos musicais o que tanto tem de bom como de mal, significando isto que tenho ouvido para aclamar Bohemian Rapsody como uma das maiores coisas algumas vez escritas ou Rachmaninoff como um génio mas também para dizer, sem pudor, que tenho um CD de Backstreet Boys em casa (alegando, contudo, em minha defesa, que era exclusivamente “research” para tentar engatar uma miuda que era doidinha por “aquilo”) ou que acho o Robbie Williams o melhor entertainer do mundo.
Como me disse uma vez um sujeito com quem até não vou muito à bola, “para criticar tens de conhecer” (isto depois de ele ter ido ao Avante!) e obviamente não morreria se nunca tivesse ouvido as vozes esganiçadas dos Backstreetboys mas seria certamente uma pessoa diferente se nunca tivesse ouvido Freddy Mercury, Waters e Gilmour, Lennon e McCartney. Ter Nina Simone como toque de telemóvel foi, inclusivamente, um bom “Ice Braker” e tema de “conversa” com a comunidade feminina numa altura mais dandy da minha vida. Romântico ou não, não consigo ficar estático quando ouço os U2 num palco (desde que o Bono não espete aquele paleio de bom samaritano / pastor da ONU). O que eles fazem é Mainstream, claramente. Mas eles são os dignos sucessores de Beatles, Queen, Stones e Pink Floyd e (excluindo a bomba relógio que são os Stones) parece-me justo o primeiro lugar do pódium.

Comentário por David Paula

nunca vi um comentário tão mal redigido como o meu…Peço desculpa mas penso que entenderam a mensagem. Abraços

João Cunha

Comentário por joaofranciscoacunha

Confesso que sempre que falo nestes sítios de música, o faço com alguma mágoa por ver o Angelico e o Fantasminha Brincalhão nos Tops portugueses. Daí que quando leia outra vez o que escrevi, como agora, tenho sempre medo que me achem demasiado duro e violento nas minhas opiniões. Mas andando com isto:

Tenho para mim que há diferença entre a música mainstream feita para vender e a música que vende porque simplesmente é boa e pronto. Das 4 bandas que referes no final, apenas os Stones me parecem já cair para o lado dos U2, com as devidas diferenças. As outras três são marcos e venderam muito, mas quem passa por operetas pop/rock, letras indecifraveis e malhões de 20 minutos não pode ser considerado um gajo que queira uma enorme conta bancária.

É claro que é preciso ser eclético, e confesso que até me vou mexendo bem em alguns campos – pop, nheee. Há um exemplo clássico que uso, com pessoa regra geral mais novo, que só ouve hip-hop. Ouvem todos o mesmo, entre eminems e jay-zs, entre 50 cents e Ne-Yos… E há tão bom hip-hop! Nos EUA há tanto hip-hop bom que chateia. Que vai buscar várias coisas, põe-se na soul, usa bons poemas e spoken-word, sampla ou colabora com outros artistas.
Na pop há agora a Amy Winehouse – música de há 30 anos atrás, embora tenha uma voz inacreditável – que manda põe em segundo plano o também imenso pop jeitoso que se faz.

E terminando de novo com os U2, aquilo que me põe triste não é serem admirados por falta de talento – coisa que eles têm e já o provaram. É terem-se em conta como enormes nomes da música como todos esses que citaste. Mas epá Waters ou Lennon = Bono ou Edge?

Mas o próximo album vai ser um sucesso enorme, como o dos Coldplay ou maior. Brian Eno meus senhores…Brian Eno.

Comentário por António Pita

Não os comparei. Cada macaco no seu galho.. não é possivel comparar por exemplo Lennon ao Roger Waters ou o McCartney ao David Gilmour. São épocas, estilos e pessoas totalmente diferentes. Talvez uma coisa que me tenha escapado no comentário anterior. A frase que dá titulo ao post foi proferida pelo Bono.. “Reapplying for the job of the best band in the world”, isto porque já lá iam uns anitos desde o ultimo álbum, o que significa que, por um lado, como disseste, ele se têm em damasiada conta e, por outro, que revela a fraca concorrência que têm actualmente..
a verdade é que, misturando um bocado tudo o que já falámos, a propagação de novos estilos como o HIP HOP, a música electrónica, a Indie Rock ou o pop sensacionalista, inexistentes nos anos 50 e 60, alarga os horizontes musicais do “consumidor” daí que seja facil um grupo como os U2 sobressair no meio de tantos.
E sim, Brian Eno é um factor de destaque, assim como o é o Stuart price na produção pop e electrónica ou o Timbaland na pop / Hip Hop, funcionando estes como verdadeiras fábricas produção de sucessos, que, independentemente da sua qualidade, são aquilo que “as massas” querem.

Comentário por David Paula

chefe comparares o Brian Eno ao Timbaland e principalmente ao Stuart Price parece-me exagerado não?

Comentário por joaofranciscoacunha

Outra vez a mesma história… não comparei o Brian Eno a ninguém. O que quis dizer é que um grupo pode ser muito bom ou péssimo mas se tiver um bom produtor por trás é meio caminho andado para atingir o sucesso. E o sucesso é aqui referido não como o reconhecimento unânime de se ser um bom grupo mas de atingir os lugares de topo das tabelas. Independentemente dos gostos musicais (pessoalmente o Timbaland não me diz nada) a verdade é que ele e o Stuart Price e o Brian Eno são dos melhores no que fazem, como é o Tony Visconti ou era o Phil Spector. A única diferença, talvez, é que os Timbalandes ou os Stuart Prices fazem músicas para as massas, esquecendo-se, por vezes de as fazer bem feitas. O Brian Eno ou os outros dois que referi produziram algumas dos melhores grupos de sempre como os beatles, ramones, leonard cohen, bowie etc. A diferença está no facto de daqui a 40 anos ninguém se lembrar da Nelly Furtado ou dos One Republic mas continuarem a ouvir todos aqueles outros que mencionei.

Comentário por Anónimo

Daqui a 40 anos ninguem so os incultos e que se vao esquecer da Nelly Furtado! Como uma forca que ninguem pode para! ah pois.. (e sim, vou fazer um comentario em condicoes depois)

Comentário por Joao Costa




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